Ou quase...

Nossas assas de cera
sob o Sol escaldante.

Para amenizar a sede
um vampiro sem saída
dá na própria língua 
uma mordida: sangue.

De ex-morador, antes,
à mera visita, agora.
Dessas que não sabe
se vai ou se demora
que amarra o cavalo
e o esquece na porta
sob o tempo de chuva.

Os perigos eminentes,
a vida como jogatina.
O condutor negligente
com a faixa contínua.

Ver do segundo andar
as cenas da sua vida,
e a vontade de pular,
involuntário suicida.

O fracasso, ou quase...

A piscina muito rasa,
aquela cerveja quente,
o feriado na quarta,
a bola indo na trave.

A Luz em falta quando
se está num bom banho.
A bateria por um fio,
o torpedo não enviado.

Ser o segundo melhor
(do mundo) e ter ainda
os melhores segundos
vividos na minha vida.

É se sentir vencedor
e terminar perdendo.
É se sentir inteiro
e quando faltar algo
me olhar como único
e me sentir muitos
dentro de mim mesmo.

...