Chuva de Verão

Uma gota de chuva caía
mas, não desejava cair.

Não era fonte de vida
e, sim, de tristeza e ira.

Ira de quem não se conforma
ao ver tudo indo embora.
E, indignado, grita pro alto:
-Deveria chover ao contrário,
de baixo pra cima,
para que o céu virasse piscina

e os anjos sentissem o que sinto
ao ver o meu lar destruído.

Enquanto isso caiu uma outra gota
(que não era como as outras)
e confessava ao Criador:
-Não quero cair e ver o sofrimento
do sem-teto de joelhos...
Deus, porque me fez água!?
Antes fosse, pedra de gelo.


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Nota: Esse poema é um dos primeiros que escrevi e publiquei na internet, mas não foi aqui no blog e tal. Foi num época longínqua onde eu tinha um fotolog e o meu passa-tempo predileto era desenhar e não escrever. Esse foi um momento de transição na minha vida, afinal eu resolvi escrever por não ter mais tempo para desenhar. E, a minha inexperiência com as palavras foi suprida pela correção ortográfica e gramatical do meu brother Gil Silva. 

O que me deixa feliz é que mesmo depois de tanto tempo eu considero esse poema digno de ser republicado pela sua intensidade e a reflexão que ele proporciona. O que me deixa triste é que muitos verões se passaram e um outro já se aproxima e ninguém fez nada para que esses versos fossem desatualizados o suficiente para não terem mais sentido no nosso contexto urbano. Infelizmente, muitas pessoas vão perder tudo de novo com as próximas chuvas de verão...
 

Libra (23/09 a 22/10)

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Júpiter e Têmis - a justiça divina - tiveram uma filha, a virgem Astréia, que viveu entre os homens na época da Idade de Ouro, semeando paz, bondade e justiça.

Numa mão trazia a balança, noutra a espada. Quando os homens passaram a viver em dissonância com as leis, os crimes que cometiam a obrigaram a abandonar sucessivamente as cidades, as vilas e os campos.

Exilou-se, então, no céu, onde foi transformada na constelação de Virgem. Carregou consigo a balança que, junto à ela, foi colocada entre os astros na forma da constelação de Libra.

Libra (português brasileiro) ou Balança (português europeu) é o sétimo signo astrológico do zodíaco, situado entre Virgem e Escorpião e associado à constelação de Libra. Seu símbolo é uma balança. Forma com Gêmeos/Gémeos e Aquário a triplicidade dos signos do Ar. É também um dos quatro signos cardinais, juntamente com Áries/Carneiro, Câncer/Caranguejo e Capricórnio. Com pequenas variações nas datas dependendo do ano, os librianos são as pessoas nascidas entre 23 de setembro e 22 de outubro.

Região do corpo: Rins
Metal: Cobre
Pedras preciosas: Crisolita
Perfume: Gálbano
Planta: Pinho e cipreste
Flor: Narciso
Planeta: Vênus
Cor: Verde
Elemento: Ar
Palavra-chave: Amor
Dia da semana: Terça-feira
Arcanjo Regente: Uriel
Gênios do Zodíaco: Grasgarben e Hadakiel
Tattwa: Vayú

Como irritar um libriano: Diga bastante - "Isso é com você, decida logo!". Leve-os a locais feios. Aja de forma grosseira em público, tire melecas, arrote, fale palavrões, vire cerveja na mesa, chame o garçom pelo nome.

Frase típica de libriana: "A justiça tarda mas não falha, pois está sempre COMIGO."



Referências: 1, 2, 3, 4 e 5.

Looping no Tempo (parte III - final)

Caso todos os livros, calendários e relógios do planeta Terra fossem destruídos a única coisa que nos sobraria para nos percebermos no espaço-tempo seria a nossa memória. E por conta disso temos que zelar para que ela permaneça saudável ao longo da nossa vida, tanto no sentido físico como no mais sutil. O que seria zelar por uma boa memória? Além de nos condicionarmos quanto a nossa saúde mental através de exercícios indispensáveis como por exemplo a leitura, devemos também tomar cuidado quanto a enorme quantidade de estímulos que nos rodeiam no nosso cotidiano. Pois, quando fora de controle eles nos desviam dos nossos objetivos e nos distraem compulsivamente.

Despertador, micro-ondas, celular, e-mail, Facebook... E de repente estamos aprisionados numa maré de obrigações ditada pelo excesso de estímulos externos. O que realmente nos move a executar a maioria das nossas tarefas no dia-a-dia: a consciência ou a inércia? E se nos perguntassem a nossa idade desconsiderando o ano que nascemos o que responderíamos... que vivemos muito ou que vivemos pouco? No que a nossa vida seria diferente caso não existissem todas essas rédeas para nos conduzir... e afinal, por quem estamos sendo conduzidos: por nós mesmos ou por terceiros?

O crescimento das nossas obrigações é diretamente proporcional ao modo como a nossa vida estaciona no tempo. O que evidencia isso é o forte apego que demonstramos para com a nossa juventude, aonde as obrigações são poucas em consequência do nosso modelo de infância ideal que sugere um ambiente de pura recreação e alienação. O que os meios de comunicação fazem é fomentar a ideia de que é possível prolongar essa "liberdade" por toda a vida adulta (para quem  desfrutou dessa experiência, para naqueles que não vivenciaram a infância de tal forma é injetado uma dose considerável de baixa autoestima que potencializa a sensação de vazio). Afim de fechar esse ciclo vicioso eles nos oferecem uma válvula de escape para amenizarmos toda as nossas frustrações com esse cotiano robotizado: o consumismo.

Somos induzidos a consumir de forma lúdica, afinal é tudo muito colorido e divertido. Forçados muitas vezes a resgatar impulsos infantis que não podem ser negados (principalmente) por nós mesmos, ao contrário do que nossos pais faziam e com sabedoria nos ensinavam a consumir apenas o necessário. O problema é que as necessidades só aumentam a cada geração que passa, criando um buraco negro que irá sugar todos os recursos naturais da Terra em poucas gerações se não mudarmos os nossos hábitos. Mas, para que o despertar aconteça é preciso sairmos desse ciclo vicioso consumista e, deixar de nos contentarmos como os ratos de laboratório que se contentam ao correr freneticamente na sua roda de exercícios em troca de comida.

A única forma que eu vejo de combater esse fluxo é deixar de respondermos apenas por estímulos externos, antecipá-los e ocuparmos imediatamente as lacunas do nosso tempo estudando como sair de vez dessa prisão. Ou seja, é essencialmente abandonar a inércia que nos domina e substituí-la pela pró-atividade. Para ilustrar bem o que eu quero dizer eu gostaria muito que vocês assistissem esse vídeo com os melhores momentos de um capítulo da série Supernatural, onde os atores principais se encontram presos numa espécie de looping no tempo e lutam para sair dele. =]



No vídeo, Sam acorda numa manhã qualquer e no decorrer do dia o seu irmão Dean morre, logo em seguida ele acorda retornando para a mesma manhã anterior, e assim sucessivamente. Sam fica angustiado pelo fato de ter de lidar com a morte do seu irmão todos os dias e tenta de todas as formas protegê-lo, em vão. Por mais que ele já saiba o que vai acontecer é inútil tentar impedir que o destino se repita. Além disso, Dean oferece uma resistência achando que essa tal viajem no tempo não passa de maluquice. Quando de repente ele acorda já no dia seguinte sem saber o motivo e mesmo assim Dean volta a morrer e repetir o mesmo looping só que em um dia diferente.

O roteiro desse vídeo, ao meu ver, pode ser comparado com a nossa vida contemporânea. Porém, há uma diferença: nós não nos damos conta que vivemos num looping do tempo e não lutamos para sair dele o quanto antes. Talvez, não nos damos conta de que morremos todos os dias que passa, assim como Dean, e custamos a acreditar quando alguém chega e diz que estamos presos numa eterna armadilha. Ou, o que é pior, sabemos que estamos numa armadilha e nos contentamos em nos distrair com futilidades. O fato é que morremos todos os dias por falta de consciência e definhamos até o fim dos nossos dias.

Por outro lado, ainda existem muitos que são como Sam e não se conformam em estarem presos a um sistema. E a sua inquietação convence as pessoas que estão ao seu lado de que realmente precisamos fazer algo para sair dessa condição. Que é preciso buscar um aprimoramento árduo, como Sam fez e passar a executar as tarefas do dia-a-dia com uma destreza absoluta. Se antecipar e usar o tempo que nos sobra para bolar alternativas para sair desse looping maldito. E quando a nossa consciência vai começar a despertar? Quando percebemos que a cada segundo portais do tempo se fecham e se abrem ao nosso redor e que cada decisão errada que tomamos é uma oportunidade perdida. 

Talvez, seja isso que nos falta... de alguma forma precisamos parar de empurrarmos o tempo com a barriga e fazer com que os dias sejam diferentes um do outro mesmo com a rotina do nosso trabalho exigindo ao contrário. Só assim para termos uma liberdade mais verdadeira e menos controlada. 

Mesmo sem a certeza do sucesso garantido e mesmo que seja preciso cair em outras armadilhas temporais o que não podemos fazer é deixar o tempo passar.

Se você não leu a parte II clique aqui: Looping no Tempo (parte II)

Quer assistir o epsódio completo? Acesse >>> mixblogvideo.blogspot.com.br
 

Looping no Tempo (parte II)

Depois de uma reflexão sobre as explicações que a física nos apresenta sobre o comportamento do espaço-tempo vamos mergulhar numa reflexão social dessas regras e ver se elas se assemelham de fato com as experiências que vivenciamos no dia-a-dia. A base dessa reflexão também será a Teoria da Relatividade. Vamos começar com uma das citações mais famosas de Einstein e que é ideal para iniciarmos esse texto.

"A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."

Ao falarmos de expanção logo pensamos em liberdade, e de certa forma podemos entender isso como "ausência de gravidade". Afinal, quem nunca quis experimentar a sensação de andar na Lua para se sentir mais livre daquilo que nos prende ao chão? Por outro lado uma das formas mais rudimentares de se aprisionar um indivíduo é amarrar na sua perna uma bola de ferro para que ele não se movimente com facilidade. Assim, podemos entender de uma forma simples como liberdade física pode ser comparada com a autonomia do pensamento de um ser humano. Pois, tanto no meio físico quanto no psicológico a melhor forma de limitar a mobilidade de alguém é fazer com que ele carregue um peso muito maior do que o seu peso natural.

Diante desse cenário eu vejo que a classe trabalhadora sofre com enormes privações para expandir a sua mente em relação a classe mais privilegiada da nossa sociedade. Ao invés de grilhões e bolas de ferro temos a exploração do trabalho como principal empecilho. Enquanto os burgueses desfrutam do acesso aos mais diversos tipos de cultura os que não pertencem a essa pequena parcela da sociedade amargam uma restrição severa ao conhecimento. Tudo começa na infância com o acesso precário ao ensino de qualidade e se prolonga durante a vida adulta. O resultado dessa desigualdade é uma distorção do tempo entre ricos e pobres.

A Teoria da Relatividade diz que para o observador o tempo passa mais devagar em relação ao sujeito que se move na velocidade da luz, e eu acredito que o mesmo acontece em relação a informação. Os que adquirem maior quantidade de conhecimento expandem suas mentes e conseguem sim viajar no tempo e estar na Terra numa época diferente daquela que a maioria vive. Para explicar essa ideia basta ver o contraste de quem anda com um iPhone e comparar com uma outra pessoa que nunca teve acesso a internet. É como se o sujeito do iPhone vivesse no ano de 2020 e aquele que nunca teve contato com um computator vivesse em 1990.

Nos bate-papos informais do cotiano muito se fala de como o tempo passa rápido. "Nossa, o ano começou um dia desses e já estamos em outubro, como pode?". As pessoas sentem que o tempo voa, mas eu não exergo dessa forma. O tempo não está voando, muito pelo contrário, ele congelou para a maioria das pessoas. Quando alguém diz "hoje já é dia 20 do mês e ele mal começou" é por que de fato no psicológico dela ainda é dia 5 (vamos supor), ou seja, ela está se esforçando absurdamente para sair do lugar no tempo em vão e não consegue perceber isso. É como se ela fosse um rato de laboratório correndo freneticamente na sua roda de exercícios. Pois, acordou no mesmo horário, executou as mesmas tarefas, comeu apressadamente e quando acordou de novo já era hora de fazer tudo outra vez. É uma verdadeira prisão atemporal onde as grades são a rotina e a repetição excessiva dos momentos.

No outro extremo desse raciocínio estão aqueles que aparentam ter vindo de uma outra dimensão. Esses indivíduos que foram tão longe voltam através de uma espécie de looping no tempo depois de um intenso mergulho atemporal, onde eles também não viram o tempo passar ao pesquisar e estudar minuciosamente o que há de mais sofisticado no conhecimento humano. De vez em quando ao saírem de suas cápsulas eles reparam como o mundo envelheceu.. É como se tudo fosse muito ultrapassado para eles. O conhecimento verdadeiro faz isso conosco e nos transporta para uma realidade à frente da qual vivemos. 

Até aí não há grandes problemas, as complicações começam quando toda essa tecnologia desenvolvida é patrocinada por oportunistas que tem como único objetivo a manutenção do seu poder sobre aqueles que estacionaram no tempo. Como faz por exemplo o governo brasileiro ao implementar um sistema de identificação biométrica visando fazer com que num futuro próximo o eleitor vote em qualquer seção eleitoral, porém não se empenha para colocar algo semelhante nos hospitais afim de proporcionar um diagnóstico mais completo da saúde das pessoas. O mais curioso disso tudo é que toda essa tecnologia é financiada justamente por quem é a vítima dessa máquina: o cidadão.

Continua...

Se você não leu a parte I clique aqui: Looping no Tempo (parte I)