Looping no Tempo (parte III - final)

Caso todos os livros, calendários e relógios do planeta Terra fossem destruídos a única coisa que nos sobraria para nos percebermos no espaço-tempo seria a nossa memória. E por conta disso temos que zelar para que ela permaneça saudável ao longo da nossa vida, tanto no sentido físico como no mais sutil. O que seria zelar por uma boa memória? Além de nos condicionarmos quanto a nossa saúde mental através de exercícios indispensáveis como por exemplo a leitura, devemos também tomar cuidado quanto a enorme quantidade de estímulos que nos rodeiam no nosso cotidiano. Pois, quando fora de controle eles nos desviam dos nossos objetivos e nos distraem compulsivamente.

Despertador, micro-ondas, celular, e-mail, Facebook... E de repente estamos aprisionados numa maré de obrigações ditada pelo excesso de estímulos externos. O que realmente nos move a executar a maioria das nossas tarefas no dia-a-dia: a consciência ou a inércia? E se nos perguntassem a nossa idade desconsiderando o ano que nascemos o que responderíamos... que vivemos muito ou que vivemos pouco? No que a nossa vida seria diferente caso não existissem todas essas rédeas para nos conduzir... e afinal, por quem estamos sendo conduzidos: por nós mesmos ou por terceiros?

O crescimento das nossas obrigações é diretamente proporcional ao modo como a nossa vida estaciona no tempo. O que evidencia isso é o forte apego que demonstramos para com a nossa juventude, aonde as obrigações são poucas em consequência do nosso modelo de infância ideal que sugere um ambiente de pura recreação e alienação. O que os meios de comunicação fazem é fomentar a ideia de que é possível prolongar essa "liberdade" por toda a vida adulta (para quem  desfrutou dessa experiência, para naqueles que não vivenciaram a infância de tal forma é injetado uma dose considerável de baixa autoestima que potencializa a sensação de vazio). Afim de fechar esse ciclo vicioso eles nos oferecem uma válvula de escape para amenizarmos toda as nossas frustrações com esse cotiano robotizado: o consumismo.

Somos induzidos a consumir de forma lúdica, afinal é tudo muito colorido e divertido. Forçados muitas vezes a resgatar impulsos infantis que não podem ser negados (principalmente) por nós mesmos, ao contrário do que nossos pais faziam e com sabedoria nos ensinavam a consumir apenas o necessário. O problema é que as necessidades só aumentam a cada geração que passa, criando um buraco negro que irá sugar todos os recursos naturais da Terra em poucas gerações se não mudarmos os nossos hábitos. Mas, para que o despertar aconteça é preciso sairmos desse ciclo vicioso consumista e, deixar de nos contentarmos como os ratos de laboratório que se contentam ao correr freneticamente na sua roda de exercícios em troca de comida.

A única forma que eu vejo de combater esse fluxo é deixar de respondermos apenas por estímulos externos, antecipá-los e ocuparmos imediatamente as lacunas do nosso tempo estudando como sair de vez dessa prisão. Ou seja, é essencialmente abandonar a inércia que nos domina e substituí-la pela pró-atividade. Para ilustrar bem o que eu quero dizer eu gostaria muito que vocês assistissem esse vídeo com os melhores momentos de um capítulo da série Supernatural, onde os atores principais se encontram presos numa espécie de looping no tempo e lutam para sair dele. =]



No vídeo, Sam acorda numa manhã qualquer e no decorrer do dia o seu irmão Dean morre, logo em seguida ele acorda retornando para a mesma manhã anterior, e assim sucessivamente. Sam fica angustiado pelo fato de ter de lidar com a morte do seu irmão todos os dias e tenta de todas as formas protegê-lo, em vão. Por mais que ele já saiba o que vai acontecer é inútil tentar impedir que o destino se repita. Além disso, Dean oferece uma resistência achando que essa tal viajem no tempo não passa de maluquice. Quando de repente ele acorda já no dia seguinte sem saber o motivo e mesmo assim Dean volta a morrer e repetir o mesmo looping só que em um dia diferente.

O roteiro desse vídeo, ao meu ver, pode ser comparado com a nossa vida contemporânea. Porém, há uma diferença: nós não nos damos conta que vivemos num looping do tempo e não lutamos para sair dele o quanto antes. Talvez, não nos damos conta de que morremos todos os dias que passa, assim como Dean, e custamos a acreditar quando alguém chega e diz que estamos presos numa eterna armadilha. Ou, o que é pior, sabemos que estamos numa armadilha e nos contentamos em nos distrair com futilidades. O fato é que morremos todos os dias por falta de consciência e definhamos até o fim dos nossos dias.

Por outro lado, ainda existem muitos que são como Sam e não se conformam em estarem presos a um sistema. E a sua inquietação convence as pessoas que estão ao seu lado de que realmente precisamos fazer algo para sair dessa condição. Que é preciso buscar um aprimoramento árduo, como Sam fez e passar a executar as tarefas do dia-a-dia com uma destreza absoluta. Se antecipar e usar o tempo que nos sobra para bolar alternativas para sair desse looping maldito. E quando a nossa consciência vai começar a despertar? Quando percebemos que a cada segundo portais do tempo se fecham e se abrem ao nosso redor e que cada decisão errada que tomamos é uma oportunidade perdida. 

Talvez, seja isso que nos falta... de alguma forma precisamos parar de empurrarmos o tempo com a barriga e fazer com que os dias sejam diferentes um do outro mesmo com a rotina do nosso trabalho exigindo ao contrário. Só assim para termos uma liberdade mais verdadeira e menos controlada. 

Mesmo sem a certeza do sucesso garantido e mesmo que seja preciso cair em outras armadilhas temporais o que não podemos fazer é deixar o tempo passar.

Se você não leu a parte II clique aqui: Looping no Tempo (parte II)

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