Looping no Tempo (parte II)

Depois de uma reflexão sobre as explicações que a física nos apresenta sobre o comportamento do espaço-tempo vamos mergulhar numa reflexão social dessas regras e ver se elas se assemelham de fato com as experiências que vivenciamos no dia-a-dia. A base dessa reflexão também será a Teoria da Relatividade. Vamos começar com uma das citações mais famosas de Einstein e que é ideal para iniciarmos esse texto.

"A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."

Ao falarmos de expanção logo pensamos em liberdade, e de certa forma podemos entender isso como "ausência de gravidade". Afinal, quem nunca quis experimentar a sensação de andar na Lua para se sentir mais livre daquilo que nos prende ao chão? Por outro lado uma das formas mais rudimentares de se aprisionar um indivíduo é amarrar na sua perna uma bola de ferro para que ele não se movimente com facilidade. Assim, podemos entender de uma forma simples como liberdade física pode ser comparada com a autonomia do pensamento de um ser humano. Pois, tanto no meio físico quanto no psicológico a melhor forma de limitar a mobilidade de alguém é fazer com que ele carregue um peso muito maior do que o seu peso natural.

Diante desse cenário eu vejo que a classe trabalhadora sofre com enormes privações para expandir a sua mente em relação a classe mais privilegiada da nossa sociedade. Ao invés de grilhões e bolas de ferro temos a exploração do trabalho como principal empecilho. Enquanto os burgueses desfrutam do acesso aos mais diversos tipos de cultura os que não pertencem a essa pequena parcela da sociedade amargam uma restrição severa ao conhecimento. Tudo começa na infância com o acesso precário ao ensino de qualidade e se prolonga durante a vida adulta. O resultado dessa desigualdade é uma distorção do tempo entre ricos e pobres.

A Teoria da Relatividade diz que para o observador o tempo passa mais devagar em relação ao sujeito que se move na velocidade da luz, e eu acredito que o mesmo acontece em relação a informação. Os que adquirem maior quantidade de conhecimento expandem suas mentes e conseguem sim viajar no tempo e estar na Terra numa época diferente daquela que a maioria vive. Para explicar essa ideia basta ver o contraste de quem anda com um iPhone e comparar com uma outra pessoa que nunca teve acesso a internet. É como se o sujeito do iPhone vivesse no ano de 2020 e aquele que nunca teve contato com um computator vivesse em 1990.

Nos bate-papos informais do cotiano muito se fala de como o tempo passa rápido. "Nossa, o ano começou um dia desses e já estamos em outubro, como pode?". As pessoas sentem que o tempo voa, mas eu não exergo dessa forma. O tempo não está voando, muito pelo contrário, ele congelou para a maioria das pessoas. Quando alguém diz "hoje já é dia 20 do mês e ele mal começou" é por que de fato no psicológico dela ainda é dia 5 (vamos supor), ou seja, ela está se esforçando absurdamente para sair do lugar no tempo em vão e não consegue perceber isso. É como se ela fosse um rato de laboratório correndo freneticamente na sua roda de exercícios. Pois, acordou no mesmo horário, executou as mesmas tarefas, comeu apressadamente e quando acordou de novo já era hora de fazer tudo outra vez. É uma verdadeira prisão atemporal onde as grades são a rotina e a repetição excessiva dos momentos.

No outro extremo desse raciocínio estão aqueles que aparentam ter vindo de uma outra dimensão. Esses indivíduos que foram tão longe voltam através de uma espécie de looping no tempo depois de um intenso mergulho atemporal, onde eles também não viram o tempo passar ao pesquisar e estudar minuciosamente o que há de mais sofisticado no conhecimento humano. De vez em quando ao saírem de suas cápsulas eles reparam como o mundo envelheceu.. É como se tudo fosse muito ultrapassado para eles. O conhecimento verdadeiro faz isso conosco e nos transporta para uma realidade à frente da qual vivemos. 

Até aí não há grandes problemas, as complicações começam quando toda essa tecnologia desenvolvida é patrocinada por oportunistas que tem como único objetivo a manutenção do seu poder sobre aqueles que estacionaram no tempo. Como faz por exemplo o governo brasileiro ao implementar um sistema de identificação biométrica visando fazer com que num futuro próximo o eleitor vote em qualquer seção eleitoral, porém não se empenha para colocar algo semelhante nos hospitais afim de proporcionar um diagnóstico mais completo da saúde das pessoas. O mais curioso disso tudo é que toda essa tecnologia é financiada justamente por quem é a vítima dessa máquina: o cidadão.

Continua...

Se você não leu a parte I clique aqui: Looping no Tempo (parte I)