Chuva de Verão

Uma gota de chuva caía
mas, não desejava cair.

Não era fonte de vida
e, sim, de tristeza e ira.

Ira de quem não se conforma
ao ver tudo indo embora.
E, indignado, grita pro alto:
-Deveria chover ao contrário,
de baixo pra cima,
para que o céu virasse piscina

e os anjos sentissem o que sinto
ao ver o meu lar destruído.

Enquanto isso caiu uma outra gota
(que não era como as outras)
e confessava ao Criador:
-Não quero cair e ver o sofrimento
do sem-teto de joelhos...
Deus, porque me fez água!?
Antes fosse, pedra de gelo.


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Nota: Esse poema é um dos primeiros que escrevi e publiquei na internet, mas não foi aqui no blog e tal. Foi num época longínqua onde eu tinha um fotolog e o meu passa-tempo predileto era desenhar e não escrever. Esse foi um momento de transição na minha vida, afinal eu resolvi escrever por não ter mais tempo para desenhar. E, a minha inexperiência com as palavras foi suprida pela correção ortográfica e gramatical do meu brother Gil Silva. 

O que me deixa feliz é que mesmo depois de tanto tempo eu considero esse poema digno de ser republicado pela sua intensidade e a reflexão que ele proporciona. O que me deixa triste é que muitos verões se passaram e um outro já se aproxima e ninguém fez nada para que esses versos fossem desatualizados o suficiente para não terem mais sentido no nosso contexto urbano. Infelizmente, muitas pessoas vão perder tudo de novo com as próximas chuvas de verão...