Ramadan

O jejum é uma prática exercida por diversas religiões tais como: hinduísmo, jainismo, celtas, confucionismo, romanos, cristãos, babilônios e com o islamismo não poderia ser diferente. O Ramadan é um mês sagrado para os muçulmanos, pois nele é comemorado a revelação do Alcorão por Allah ao Profeta Maomé que se dá ao nono mês do calendário islâmico que se difere do nosso por ser lunar e não solar. 

Durante o Ramadan os muçulmanos não se alimentam durante o dia. As refeições são feitas um pouco antes do amanhecer e podem ser retomadas  após o pôr-do-Sol. Também faz parte desse jejum a abstinência sexual e a caridade. A fé muçulmana é tão grande que acredita que "os portões do Inferno ficam trancados, e os demônios nele acorrentados” durante esse período. Este mês sagrado é um dos cinco pilares do islamismo e sua prática é essencial para a renovação da fé e o fortalecimento do elo para com Allah. Caso aconteça da pessoa quebrar esse jejum ela deverá jejuar por sessenta dias consecutivos, ou alimentar sessenta pessoas necessitadas, ou gastar em caridade a quantia equivalente à alimentação de sessenta pessoas.

Apesar de termos construído uma imagem dos muçulmanos como radicais e impiedosos. Quanto ao Ramadan não é bem assim que as coisas funcionam =]. Há excessões sim, para os muçulmanos será permitido quebrarem o jejum de Ramadan imposto quando ele acarretar perigo para a sua saúde. Nessa situação, o muçulmano deverá refazer mais adiante o seu jejum. O(s) jejum(uns) poderá(ão) ser reposto(os) em qualquer outro tempo do ano, quer seja contínua ou intermitentemente, menos durante o dia da eid (festividade). Além desses casos excepcionais ficam dispensados do Ramadan:

1. As criança abaixo da idade da puberdade e da descrição. 

2. Os doentes mentais que sejam irresponsáveis pelos seus atos.

3. Os indivíduos (homens e mulheres) que sejam muito velhos e fracos para arcar com a obrigação do jejum e suportar as suas asperezas. Essas pessoas estarão isentas desse dever, mas deverão oferecer, pelo menos, a um pobre necessitado, a média de uma refeição completa por dia, para cada pessoa. 

4. As pessoas doentes cujas saúdes estejam sujeitas a ser severamente afetadas pela observância do jejum; poderão adiar os dias de jejum, e depois repô-los, dia por dia. 

5. Pessoas na expectativa de dias de dureza. Essas pessoas poderão quebrar temporariamente o jejum durante suas viagens para compensarem dias depois, dia por dia. Porém, será melhor para elas, diz o Alcorão, conservarem o jejum se puderem fazê-lo sem o acúmulo de durezas extras
 
6. As mulheres que esperam neném e as que estejam amamentando seu bebê poderão também quebrar o seu jejum. Mas deverão repor os dias adiados, dia por dia.

7. Durante o período pós-parto, a parturiente estará isenta do jejum. 

8. As mulheres nos períodos de menstruação (um máximo de dez dias) poderão adiar o jejum, até ao fim do período, e depois compensá-lo, dia por dia. Se o período começar durante o jejum, este deverá ser repetido.

O Ramadan, assim como todo jejum, não deve ser cumprido por obrigação e sim por vontade própria. Ao contrário do que normamelte pensamos o jejum não deve ser associado ao sacrifício e sim a alegria. E, por que o jejum? O jejum é uma forma de nos desprendermos dos nossos desejos e compulsões. O jejum deve ser um momento de grande reflexão interior, uma ferramenta para a lapidação do nosso lado transcedente. Pois, é negar a si mesmo, a vaidade e principalmente, ao ego. Esse ego que funciona como um buraco negro dentro de nós que suga toda Luz que há por perto.

Em um mundo onde somos bombardeados diariamente por tentações do capitalismo e agimos como zumbis querendo matar essa sede que temos de consumir, qualquer tentativa de sair desse estado de imersão nas nossas obsessões é muito válida. Eu acredito que o despertar da consciência começa justamente assim o/. A primeira coisa que se tem a fazer é dizer "não". Não ao modo que vivemos, não a desigualdade, não ao benefício próprio e como poderemos fazer isso se não dizemos "não" nem para nós mesmos? Essa façanha não é impossível de se fazer, mas exige um grau elevado de força de vontade e disciplina. 

Quem aqui já pensou em se privar de algo que gosta muito, apesar dele estar facilmente ao seu alcance? Para mim que chego em uma padaria e tenho vontade de comer um pedaço de cada doce até não ter mais forças para levantar da cadeira essa conquista me parece um pouco distante. Até por que o Ramadan não é apenas uma dieta, é um condicionamento da alma também e isso faz com que eu tenha muita admiração pelos muçulmanos que o praticam com fervor. Mesmo assim, o convite para esse desafio é tão provocador que me trouxe essa bela reflexão e quem sabe daqui pouco tempo eu venha a praticar um jejum também (nem que seja de 15 dias sem chocolate). =]