Perversão...

As sociedades são construídas sobre uma série de códigos e posturas que predeterminam como os indivíduos devem se comportar ao longo de suas vidas para serem aceitos pelas mesmas. Qualquer comportamento que venha a se desviar dessa conduta de valores morais pode ser considerado como pervertido. Em outros tempos não era raro que os entendidos como pervertidos fossem castigados com vigor ou no mínimo excluídos moralmente pelo grupo no qual viviam. A necessidade de ser aceito era tão importante que as pessoas se reprimiam dentro de si mesmas (com exceção daqueles que quem tinha poder suficiente para fazer qualquer ato imoral e mesmo assim estar imune de qualquer julgamento).

A grande reviravolta nesse contexto se deu quando a sociedade ocidental se transformou e as fronteiras dos Estados passaram a não corresponder com as fronteiras dos grupos religiosos, étnicos ou culturais e os interesses econômicos/políticos vieram a ser muitos mais importantes que qualquer outro valor. A diferença é que agora as Leis tem que se adequar aos diversos tipos de "tribos urbanas" e a moral passou a ser deixada de lado (teoricamente) na elaboração das legislações. Hoje cabe ao Estado assegurar que os indivíduos não venham a sofrer retalhações devido ao seu comportamento moral.

Mesmo assim perversão e moral estão intimamente ligadas, tanto é que o limite de uma é o apoio da outra. Por exemplo: quando temos religiosos usufruindo do seu tempo para discutir “como não fazer” para seguirem um comportamento moral inadequado ou quando vemos uma série de conteúdos erotizados tendo em seu plano de fundo valores tipicamente religiosos como: pureza, adoração, (in)fidelidade. rs

Bom, eu não vejo nada demais em uma pessoa seguir um comportamento moralmente correto, desde que a sua única satisfação não seja o mérito por não ter uma conduta tão “suja” quanto das outras pessoas e respeite o direito dos demais de não agir do seu modo, também não vejo problema em alguém que não siga um comportamento moralmente correto, desde que ela seja sincera com aqueles que estão diretamente ligados aos seus atos e não faça isso pelo status de não ser uma pessoa conservadora.

Embora seja garantido esse direito por detrás dele há muitas outras armadilhas e pontos a serem considerados. Embora a Lei garanta uma certa liberdade o julgamento moral ainda é muito forte e faz com que as pessoas ainda se reprimam. Afinal, quem garante que a sua conduta moral não será levada em consideração quando o seu entrevistador analisar o seu perfil do facebook em um processo seletivo? Pois é, acontece...

O conjunto de regras que formam a nossa sociedade tende apenas a aumentar na tentativa de formatar os indivíduos e reduzir a sua forma de expressão original ao máximo. E as poucas maneiras que temos de amenizar essa opressão são exploradas por aqueles que tem interesse de extoriquir o nosso dinheiro e permanecer no poder. É fácil ouvir slogans por aí como: "Abra a felicidade!". Ué? se precisamos abrir uma garrafa para ter acesso á felicidade é porque com certeza ela não está dentro de nós.

Tudo é climatizado, erotizado e personalizável. Desde um comercial de desodorante até uma simples recarga de celular. Todos os nossos desejos são aflorados, mas apenas os "vencedores" são capaz de relizá-los. Essas restrições em doses diárias fazem com que o estado de insatisfação do sujeito consigo mesmo ultrapasse todos os limites da lógica racional do ser humano, levando-o na contramão de tudo que essa sociedade promete. Deixando cair a máscara de um futuro de paz universal e vomitando atos repletos de crueldade como podemos ver nos nossos noticiários matinais na TV.

É uma pena que ao invés de nos encararmos a nossa natureza como ela realmente é queremos ser o bicho mais civilizado de todos. A nossa sociedade deixa a desejar em muitos aspectos, por exemplo: eu imagino que seja bem reduzido ou nulo o número de estupros numa aldeia indígena, apesar da índias andarem nuas, atitude que o homem "civilizado" não demonstra na cidade.

O ser humano seria muito mais fértil se ao invés de se podar se lapidasse.