Realista Sonhador

Otimismo e pessimismo são sentimentos que nos preenchem com sensações bem diferentes, porém possuem pontos em comum e na teoria é possível até entendermos que os dois resultem numa inércia do pensar apenas diferenciando-se pela sua inclinação: positiva ou negativa. Essa ligação é tão forte que para definirmos um estado é necessário mencionarmos o outro. Isso pode fazer com que ao nos vermos concentrados num projeto fiquemos sempre com a dúvida se aquele gesto é movido pelo otimismo ou pessimismo.

Observemos as definições:

Otimismo: s.m. Atitude daqueles para quem tudo no mundo é o melhor possível, ou para quem a soma dos bens supera a dos males. Tendência a ver tudo bem; tendência daqueles que se consideram satisfeitos com o atual estado de coisas. (Antôn.: pessimismo. Var.: optimismo.)

Pessimismo: s.m. Estado de espírito dos que pensam que tudo caminha para o pior. (Antôn.: otimismo.) Filosofia. Doutrina filosófica que afirma a existência do mal do mundo, de forma primária, substancial e predominante, sendo impossível sua supressão, pois esta representaria necessariamente a supressão da existência; daí, portanto, a inutilidade de qualquer esforço nesse sentido, salvo a redenção da existência através do processo de sua autodissolução. 

Logo de cara nós vemos que o que diferencia otimismo e pessimismo é o fator atitude. As atitudes de um sujeito demonstram que o mesmo saiu de uma inércia e resolveu agir dentro daquilo que acredita. Sendo assim, fica claro que o mesmo é dominado por um certo otimismo, nem que seja por uma quantia mínima, mas esse sentimento se sobrepõe aos outros dentro de dele. É isso que faz com que ele acredite que o seu sacrifício possa ser recompensado de alguma forma algum dia. 

Porém, alguns pessimistas dirão: “Eu faço o que faço apenas para que as coisas não piorem, entretanto não acredito em nenhuma real mudança”.

Sinceramente, é difícil acreditar que seja dessa forma, pois o pessimista dissolve toda a fé no sucesso das suas ações de forma quase irreversível. E com essa confiança dissolvida não há ânimo nem para se levantar do sofá e sair de casa para ver o Sol de um belo dia de outono. O pessimismo é na sua essência a entrega dos pontos e a ausência de toda e qualquer esperança no próprio futuro, ou na humanidade como um todo.

Contudo, essa carga negativa que o pessimismo traz para a nossa existência não é completamente de todo mal e merece ser abolida do nosso inconsciente. Afinal, somos seres subjetivos e temos sentimentos/estados de espírito que vão muito além dessas definições. Sendo que esse estado negativo é parte enraizada dentro da nossa essência e impossível de ser excluído.

O pessimismo pode ser trabalhado como catalizador de dúvidas que nos faz questionar o quanto as coisas parecem estar boas, porém não estão. E, mesmo que estejam boas de verdade ele vai nos fazer ter consciência de que, mesmo que as coisas estejam caminhando perfeitamente elas podem vir a não ser assim para sempre e por isso não podem ser deixadas de lado sem nenhuma vigilância para que assim permaneçam.

Ele pode nos despertar para a realidade quando ficamos envolvidos por marés de resultados favoráveis diante de ações impensadas que ignoram as condições reais do nosso contexto. O pessimismo pode nos trazer para perto da consciência e compreensão do meio fazendo com que não depositemos todas as nossas expectativas numa ação antes de termos um plano B.

Dessa forma, eu considero que o otimismo assim como o pessimismo (na medida certa, ou seja, em doses econômicas rs) é importante dentro de todas as esferas de relacionamento do ser humano. Sejam elas interior, a dois ou em grandes grupos. E, que ao atingirmos um nível mais elevado de consciência somos capazes de equilibrar o pessimismo e o otimismo dentro de nós. Alguns chamam esse estado de realismo e até fazem questão de se autointitular realistas.

Só que para mim nunca foi tão simples porque eu sempre quis aproveitar ao máximo essas sensações e a ideia de um realismo prático racional não combina perfeitamente com a minha maneira de sentir o mundo. Sendo assim, eu cogitei me definir como um pessimista bem-humorado ou um otimista não eufórico, mas ao refletir profundamente eu me descobri um realista sonhador.
 

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