Com Deus não se brinca (parte II)

A proposta da internet mudou com o passar dos anos. Se a ideia inicial da rede era somente tornar acessíveis conteúdos estáticos ela ganhou uma nova forma quando nós usuários deixamos de ser apenas assimiladores para sermos produtores do conteúdo que nela trafega. Além disso, a sensação mista de anonimato com um requinte de estrelismo fez com que as pessoas tivessem a possibilidade de extravasar pontos de vista que muitas vezes não seriam expostos com tanta fluência numa conversa comum. Isso inclui a visão de fé dos indivíduos também. Afinal, em poucos cliques podemos compartilhar uma imagem "evangelizadora" na timeline dos nossos amigos através das redes sociais. 

Todo esse engajamento gera um volume muito grande de informações que cria um clima tenso entre os internautas. hehe

De um lado nós temos cristãos que usam dessa liberdade para demonstrar o quanto Deus é bom e age positivamente nas suas vidas, porém ao mesmo tempo é vingativo para aqueles que não o seguem. Como são maioria, incomodam pela sua insistência na tentativa de fazer os demais aderirem à sua fé.

Do outro lado estão os ateus que ganharam um espaço muito legal para se expressar e ir contra o moralismo irredutível da nossa sociedade, irreverentes, dificilmente perdem a chance de alfinetar esse Deus vingativo as posturas contraditórias dos cristãos para com aquilo que pregam. Em boa parte do tempo utilizam do bom humor e sarcasmo para se manifestar, tanto que algumas vezes chegam até a extrapolar os limites do respeito a fé alheia.

O lado mais intrigante da história é que quando algo de ruim acontece com um desses "hereges" os cristãos o consideram como um troféu, e fazem questão de deixar bem claro para aqueles que vem trilhando esse mesmo caminho que a sua punição será igualmente dolorosa. Talvez eles não entendam, mas esse tipo de comportamento tem o efeito justamente contrário do que eles almejam, ao invés de aproximar as pessoas eles as afastam do real sentido dos ensinamentos de Cristo...

E agora eu pergunto: qual o problema com o "bom humor" dos ateus? Seria a essência Deus vingativa e mal-humorada?

Eu acredito que não. O máximo de ruim que eu consigo sentir talvez seja um tom disciplinador, entretanto, light! =]

Isso mesmo, light! Light de luminoso, light de leveza... limpidez. Num primeiro momento pode soar estranho, mas vou tentar me explicar.

Aqueles que acreditam que Deus é a chama do puro amor não podem atribuir a sua essência um caráter de mal-humorado. É no mínimo contraditório pensar assim. Eu jamais conheci alguém que fosse amoroso estando de mal humor, não é possível. Você pode sentir a pior dor do mundo, mas se estiver em paz consigo mesmo ainda conseguirá ser amoroso, já o inverso eu nunca vi acontecer. O primeiro sintoma do mal humor é a indisposição e indisposição é justamente o oposto de amor. É como diz aquela música: "Os dispostos se atraem" =]. Você já reparou como as pessoas apaixonadas encaram a sua vida com enorme disposição?

Ao imaginar um Deus criador eu só consigo pensar numa figura sutil e alegre, que
pode ser percebida através da diversidade dos seres e na exuberância do meio no qual vivemos. Para criar tudo isso imagino que Ele seja paciente, e que além de disposição é preciso muito bom humor para entregar um trabalho de bilhões de anos nas mãos de criaturas ignorantes para ser destruído em apenas três séculos... Talvez, Deus tenha um lado infantil, eu digo isso por que não há nada com potencial criativo maior do que uma criança, elas são pura criatividade, porém até elas quando estão emburradas abandonam qualquer atividade que estiverem fazendo. Você já viu alguma criança inventando uma nova brincadeira de mal humor?

Como criador Deus também tem um lado paterno. Isso significa para mim que o amor muitas vezes fala mais alto do que a autoridade. Uma das maiores alegrias que um filho pode ter é a liberdade de poder brincar com seu pai, e a recíproca é verdadeira. O diálogo aberto desde a infância proporciona uma total sinergia que vai além de julgamentos ou condenações. Quando eu vejo as pessoas falando dos castigos que Deus aplica aos que o cutucam logo penso na seguinte cena: Um bebê puxando o cabelo do pai enquanto ele o carrega no colo. Mesmo que o pai sinta dor ele não vai castigar a criança por causa disso, e Deus age da mesma forma com seus filhos. Você já viu um pai arruinar a vida do seu filho por causa de uma simples brincadeira? 

O destino de uma pessoa não vem a ser definido somente pelas coisas que ela diz ou escreve, e além disso precisamos respeitar o outro ser humano que está expondo seu pensamento, seja ele: religioso ou ateu. Nenhuma pessoa deve ser punida por se manifestar de forma artística ou religiosa, desde que isso não venha a discriminar outras pessoas ou depredar o patrimônio histórico-cultural de um povo. Da mesma forma que ninguém deve ser obrigado a se submeter à costumes ou rituais dos quais não sinta vontade de participar. Precisamos entender que um indíviduo não se resume pelo arquivos que compartilha nas redes sociais, ele é bem mais que isso; e esse ódio virtual tem que ser dissolvido antes que de transporte para o mundo real.
 

Sendo assim, eu não vejo motivos para cristãos ou ateus se colocarem num patamar mais elevado um em relação ao outro. A única coisa que eu penso é que esses ideais não devem ser mais importantes do que as pessoas que os possuem. Caso contrário essas idelogias radicais tendem a se potencializar e espalhar uma onda de intolerância. E Deus não gosta disso rs. Porém, Deus não é vingativo como pregam por aí, pois se fosse haveriam meteoros incandescentes caindo sobre a cabeça de muita gente. hehe


Obs: Antes que alguém venha dizer algo sobre a morte da Cássia Eller em relação a música, saiba que, essa música não de autoria dela e sim de Chico Buarque, além disso muitos outros a cantaram antes dela e ainda estão vivos até hoje.

Alguém aí se arrisca a explicar?