"Cidade dos Poetas"

Hoje vou falar de um bairro no qual eu nem sequer morei, mas que aprendi a gostar a partir de relatos entusiasmados que ouvi do mesmo. O grande destaque desse bairro não é por sinal a sua possível “nobreza” ou casas de luxo, o que realmente cativa nele é o nome de suas ruas, pois elas têm nome de grandes personalidades brasileiras e, na sua maioria poetas. O nome desse bairro é Antônio Zanaga que fica localizado na cidade de Americana-SP.

E o morador desse bairro que estou falando é o meu grande amigo Marcílio Estácio de Souza que infelizmente veio a falecer no último dia 13 de março de 2012. Pedagogo e poeta nas horas vagas Marcílio não cansava de fazer boas referências ao bairro (além esbanjar o orgulho de poder morar na Rua Érico Veríssimo). Ele sempre me falava de um poema que gostaria muito de fazer no qual se chamaria “Cidade dos Poetas” aonde seriam relatada toda a geografia do bairro associada aos versos e feitos homenageando aqueles que davam nome as ruas do lugar. Porém, ele dizia que aquilo exigiria uma pesquisa e um estudo mais aprofundado de cada um desses autores.


Sendo assim, eu resolvi tentar fazer esse poema. Observei o bairro no Google Maps e peguei nomes de rua que achei interessante para tentar compor alguns estrofes. Mesmo sem ter pesquisado o suficiente eu achei a iniciativa válida, até por que o objetivo aqui é prestar uma singela homenagem e não querer substituir o poema que ele viria a fazer. Espero que gostem...

Cidade dos Poetas

Componho versos
de forma natural
como um caminhar
de pés descalços
na areia do mar.
Pelo meu bairro
celebro um sarau
com pensadores e
poetas do passado
até o Sol raiar.

Faço reverências
a Guimarães Rosa,
Mário de Andrade
e Maria Quitéria,
que me lapidam
como um discípulo
de uma nova era
que me inspiram
a rimar e lutar
com tranquilidade.

Logo ouço um tom
saudoso de Noel,
o rei dos bambas,
que possuia o dom
do legítmo samba,
malandro do bom,
que está no céu
com Carmem Miranda
e todos os demais
Orixás da Umbanda.

Rifles abençoados
conduzem o motim,
da fé do temível
Capitão Lampião
á luta de Padim,
meu Padre Cícero
que sempre estará
rodeado de anjos,
santos e serafins
nessa revolução.

Uma esposa fiel:
Anita Garibaldi.
Uma romântica...
ou não, Clarice.
Todas as mulheres.
Incógnitas, x,
ípslons e "zês".
Todas afunilando
junto à Avenida
Cecília Meirelles.

Saindo da Avenida
Graciliano Ramos,
vou bairro adentro.
No Antonio Zanaga
relembro alegrias,
emoções, lágrimas,
muitas estrofes que
o tempo não apaga,
que planam na Praça
Vinícios de Moraes.

Meu lar doce lar,
minha casa situada
à Érico Veríssimo,
que dentre todas
me ensinou que, na
verdade, um poeta
quando se distrai
muitas vezes não
vira nome de rua
mas, com certeza
vem a ser poesia.



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