Reevolução - Resenha (parte III - final)

Qual sua proposta para uma nova forma de se fazer Revolução?

O caminho mais claro que eu consigo enxergar é o da experimentação e intuição. Ter um ideal consistente é essencial nessa jornada, mas não há uma receita infalível; até mesmo um gourmet experiente pode errar o tempero de um molho se ousar não prová-lo. É preciso nos sintonizar com a realidade e ter habilidade suficiente para contornar os obstáculos, mesmo que eles fujam a regra de uma estratégia linear imaginária. Temos que estudar as Revoluções que marcaram a história e extrair delas o máximo de experiências bem sucedidas, e incrementá-las com novas ideias: Revolução exige acima de tudo criatividade. =]


Às vezes eu percebo que algumas manifestações acabam fracassando, pois elas ocorrem após a formalização das decisões do Governo. E, assim fica fácil para quem está no comando conter essas agitações. Essa sede é compreensível, afinal é um sentimento de indignação que toma conta daqueles que percebem o quanto somos manipulados por uma Elite Social. Porém, agir sem consciência só nos deixa ainda mais vulneráveis. 

Temos que antecipar os nossos atos para que o Poder Legislativo não venha a tomar decisões que possam ser nocivas à população, ou, para que Projetos de Lei que nos favoreçam não sejam arquivados. Essa é uma mudança de postura essencial para os movimentos sociais, pois a partir do momento que uma Lei passa a valer a Polícia tem total autoridade para colocá-la em prática (
seja ela prejudicial ou benéfica para a população).

Dominar os recursos tecnológicos também é de grande valia para se obter sucesso em qualquer investida. Quem está com o poder nas mãos possui ao seu dispor satélite, infravermelho, sensores etc por todos os lados, e estão monitorando a todo momento ações que ameaçam a integridade da sua imagem/poder.


Se por um lado nós temos uma sensação de euforia quanto a possibilidade de usar a internet para engajar as pessoas, por outro ela pode vir a cair por terra quando percebemos que as nossas redes sociais não são veículos tão autônomos assim. Em alguns países a censura às redes sociais já é uma realidade e nos mostra a fragilidade de usar esse meio como única e exclusiva ferramenta de manifestação.
 


E essa censura não está muito longe, a Advocacia-Geral da União entrou com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal de Goiás contra o Twitter solicitando que perfis de usuários que avisem sobre as blitz que ocorrem rodovias sejam excluídos sem aviso prévio. Essa é apenas uma amostra de como mobilizações apenas virtuais podem ser facilmente controladas.


As passeatas públicas (que parecem ser a nossa única alternativa) raras vezes dão o resultado esperado. Apesar de terem uma importância fundamental no contexto do despertar da consciência quem acredita com convicção elas só resolverão tudo está enganado. Infelizmente, na maioria das vezes tudo acaba com represálias bem sucedidas por parte do Polícia e um sentimentos de que tudo foi em vão.

Então, o que fazer?

É preciso ter em mente que para realizar uma mudança social é necessário bem mais do que uma passeata ou uma manifestação virtual. Temos que adotar uma postura de indivíduos que desejam realmente ver esse novo mundo se concretizar no nosso cotidiano. Demonstrar que o nosso maior poder as vezes nem consiste em sair nas ruas, mas em atitudes inteligentes e bem articuladas economicamente. Demonstrar que, por mais agressivas que sejam as represálias nós ainda vamos ter alternativas para contorná-las e não nos deixar abater em meio as tentativas dos opressores nos dominar.

Um bom exemplo desse tipo de atitude que pode ser citado é o da postura do movimento contra o racismo nos EUA na década de 60, onde Martin Luther King Jr orientou para que todos os negros não comprassem nenhum produto em lojas que não empregassem negros. Essa foi uma das mudanças de comportamento fundamental para negros para que conquistassem seus direitos num país onde o racismo era amparado pela Lei. Além das manifestações pelas ruas eles sabiam o poder econômico que tinham em mãos, coisa que muitas vez não nos damos conta que temos.

Vejam só, é disso que eu falo. Para mudarmos todo o contexto social precisamos aplicar mudanças de comportamento também no nosso dia a dia, e não só durante as 4 ou 5 horas que duram normalmente uma manifestação. Saber trabalhar com o que se temos nas mãos ao invés de nos limitarmos ao que não dá para ser feito. Reciclar ideias a todo instante. Adquirir um verdadeiro equilíbrio entre sermos realistas e sonhadores. Explorar ao máximo o nosso potencial criativo. E, antes de mais nada, sair do óbvio...

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Se você não leu a parte II clique aqui: Reevolução - Resenha (parte II)

Essa é uma série de três textos que são uma resenha de uma outra série de outros sete textos que eu escrevi que também tratam do tema Revolução. No fim do ano passado eu tive um grande privilégio de um deles serem publicados no Jornal Monte Mor Empresarial no qual o meu brother César Razék é responsável pela diagramação. E, eu só tenho a agradecer, afinal, foi a primeira vez que um texto meu foi publicado num veículo de comunicação impresso periódico. Vlw César! o/

E, quem quiser ficar ler os outros sete posts que originaram esses três é só clicar:

Reevolução – (Parte I, II, III, IV, V, VI e VII).

Namastê!

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