Curiosidade

A curiosidade é uma inquietação do nosso estado de espírito quando nos encontramos diante do não-revelado. Ela não se manifesta diante do total desconhecimento do objeto em questão, e sim quando o mesmo tão desejado está quase ao nosso alcance. A curiosidade é a vontade de saber o que há por de trás do “encoberto”. Seja através de um mistério envolvente, uma questão de sobrevivência ou um ponto de interrogação qualquer. O fato é que privação e curiosidade possuem uma ligação bastante sutil, porém intensa.

Por exemplo: ao irmos ao teatro sabemos que há algo por de trás dos holofotes, mas não sabemos exatamente o que é e como nos será apresentado. Sendo assim, olhamos fixamente para o palco afim de presenciar o instante no qual as cortinas vão se abrir para não perdermos nenhum detalhe. É nesse momento que as hipóteses de como a peça irá se desenvolver rodeiam a nossa mente fazendo com que na cabeça de cada um de nós haja uma construção virtual e particular da encenação que se desenrolará. Eu só não ouso dizer que é a melhor hora do espetáculo pois este momento pode ser ofuscado se apresentação superar todas as nossas expectativas.

Quando a curiosidade é saciada através da superação de todas as expectativas a sensação de alegria se torna inevitável até mesmo para aqueles que se dizem desinteressados e não-curiosos em relação ao objeto de desejo. Sensação essa que provoca um outro tipo de sentimento que faz com que nos perguntemos: como essas pessoas/situações/ideias conseguiram nos surpreender? Gerando assim um novo ciclo e fazendo com que a experiência de ser curioso seja prazerosa, ou até mesmo viciante.

Alguns elementos instigam o ser humano a não se contentar com as respostas que um dia já lhe foram dadas. Isso começa a acontecer quando adquirimos uma bagagem de conhecimento que consideramos suficiente para nos proporcionar viagens diferentes daquelas que um dia tivemos e ainda precisávamos de um guia para nos acompanhar. Esse desprendimento provem da vontade de sermos livres/conscientes. Mas, se engana que acha que ser curioso é ser prepotente e defender verdades cegamente apenas para não dar o braço a torcer a algum outro conceito. 
Ser curioso é acima de tudo ter o prazer em descobrir o quão errado se pode estar diante daquilo que acreditamos.

Na vida real os cenários não se mostram tão bem definidos como num teatro. Cortinas, cadeiras e palco se misturam de um modo sugestivo e só com um grau de percepção aguçado compreenderemos como o mundo ao nosso redor realmente funciona. Durante esse processo de aprendizado muitas dúvidas surgirão, principalmente quando falamos em "tempo certo de aprender". De certa forma as etapas existem e são importantes para a nossa concepção de mundo, mas elas não podem ser mais importantes  do que o ritmo natural de aprendizagem de cada indivíduo.  Alguns não veem essa ideia com bons olhos, pois acham que pessoas curiosas só trazem problemas.

Na verdade eles tem medo, e querem que nós tenhamos medo também.

Entretanto, não devemos cair em nenhum tipo de armadilha que nos faça aceitar que já sabemos o suficiente mesmo sem saber nada. Seja sobre o Governo, Ciência e Religião; 
desde o macro ao micro que nos cerca... Por que não exigirmos respostas que satisfaçam verdadeiramente a nossa sede de conhecimento sem nos importarmos se quem vai responder o fará com boa vontade ou não? O que será que eles tanto tem a esconder que guardam a sete chaves?  

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O meu nome é Enderson, sou morador do Planeta Terra desde o dia 23 de fevereiro de 1990. E quero permaneçer por muito tempo assim: curioso. Agora já se passaram 22 anos terrestres da data do meu nascimento e, para mim, eles são apenas isso: anos terrestres... =]

Namastê!

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