Tubo de ensaio


Existe uma parte de medicina onde os "médicos" não tem diploma e nem qualificação suficiente para estar exercendo suas atividades. Gente que aproveita de pessoas que chegam desesperadas em busca de solução e acabam adquirindo traumas para toda a vida. Um submundo, uma submedicina que infelizmente é tendencionada por um mercado ilegal que visa apenas o dinheiro. Ao invés disso, deveriámos estar produzindo superalimentos, megavacinas e estamos fazendo justamente o contrário =[ ao usar a nossa própria espécie de cobaia.

Aém das aventuras de Pink e Cérebro,
no olhar científico de resultados,
os corpos viram menos que os objetos,
agulhas bambas e pontos atravessados.
De quem se diverte brincando de Doutor,
que provou tudo, menos aquilo que era útil.
Retirou órgãos dos órfãos sem cobertor,
e os tratou como lixo dessa ciência fútil.

Do animal que se achou muito foda quando
fez clones do clone do clone do clone do clone.
Que desaprendeu o sentido do ser humano,
que se acha único e nega a existência do ontem.
Que depois de duas guerras não curou a gripe,
e depois do frango e do porco, o que vai ser depois?
Que na ilusão de responder criou seus limites,
se limitou dentro do pequeno universo que propôs.

Fizeram o isopor ter cor aroma e sabor,
dieta balanceada a base de transgênico,
feita em série apenas com a frieza motor.
Sem o Sazon da mãe, o trabalhador anêmico,
largado, desmaiado na linha de produção.
No auge da meta diária inalcançável,
no observar da câmera, na tela do capitão,
foi sugado o máximo do seu trabalho.

Dentro dos tubos de ensaio e nesse mal odor.
Nesses laboratórios onde tudo é descartável,
os bisturis ensaiam o aborto na mão do escultor,
no consultório o sonho do corpo impecável,
o resultado: cicatrizes na alma e na pele.
Do médico de cabeça baixa, o breve diagnóstico:
"Melhoral, Anador... qualquer um desses resolve."
-Pra que "estudo" moço? pra assinar o meu óbito?...

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